Quem escreve não começou querendo dizer algo.
Começou ficando.
Antes das palavras, houve um lugar — um intervalo onde o tempo não exigia resposta imediata. É desse espaço que os textos surgem, não como afirmação, mas como escuta.
O autor não se coloca à frente do que escreve.
Caminha ao lado, às vezes um passo atrás.
Prefere observar o que permanece quando tudo o resto já tentou ir embora.
A escrita, aqui, não é método nem projeto. É consequência.
Há uma atenção voltada para o que não faz ruído: a infância que não se anuncia, os lugares que acolhem sem prometer, os silêncios que ensinam sem explicar. O texto não busca convencer. Apenas sustentar.
Se algo aqui encontrou você, não foi por acaso — mas também não foi chamado. Alguns encontros acontecem assim: sem aviso, sem promessa, apenas porque ainda havia espaço para ficar.